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De Ralph W. Emerson
Insiste em ti mesmo. Nunca imites.
Escrito por Tatiana Telink às 22h34
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PÉROLAS DO LEMINSKI
leite, leitura, letras, literatura, tudo o que passa, tudo o que dura tudo o que duramente passa tudo o que passageiramente dura tudo, tudo, tudo, não passa de caricatura de você, minha amargura de ver que viver não tem cura
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abrindo um antigo caderno foi que eu descobri antigamente
eu era eterno
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eu quando olho nos olhos sei quando uma pessoa está por dentro ou está por fora
quem está por fora não segura um olhar que demora
de dentro de meu centro este poema me olha
Escrito por Tatiana Telink às 14h37
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ONDE MINHA ALMA HABITA
O lar da alma é o abrigo onde mora a minha alegria. É o lugar onde conservo com todo o cuidado a seiva que me alimenta. Onde preservo algumas das minhas últimas ilusões. Onde eu guardo as minhas criativas estratégias de salvação. Meus ungüentos para as dores mais fundas. A esperança de um dia ainda encontrar algum sentido qualquer que seja para toda essa bagunça que me meti quando resolvi nascer...
por isso vos digo onde minha alma habita é onde eu estou em essência e excelência...
no adágio de Albinoni na taça de vinho tinto – cheia! no mar, onde a lua reflete a prata e o sol reflete o ouro num enxame de vagalumes no vento que varre pensamento na água corrente numa revoada de borboletas na primeira mordida do brigadeiro na sala de cinema nos filmes que viraram célula nos sacos grandes de pipoca nas declarações de amor, feitas ou recebidas nas caretas da Clara no banho quente e cheiroso no prazer de fazer algo de bom para alguém no entardecer no amanhecer num varal de roupas lavadas numa roupa recém passada num trilho de trem numa estrada de terra na sutileza das poesias do Mario Quintana na poesia das crônicas do Rubem Braga na melodia das letras do Chico Buarque na caneta esferográfica no olhar da minha mãe no bigode do meu pai na gargalhada da minha irmã na parede pintada de verde-limão no céu azul quando está muito azul no numinoso das nuvens no escuro da noite que revela as estrelas nos meus cabelos quando estão vermelhos na dor das esculturas de Camille Claudel nos corpos com gavetas de Salvador Dali na paz que me dá ouvir Gurumayi cantar nos desenhos da fumaça do incenso na página de um livro bom nas palavras preciosas nas estantes cobertas de livros no café expresso da livraria na minha coleção de penas no apito do trem no badalar dos sinos no assovio de alguém nos canais de Veneza nas cores de Veneza no desejo diário de voltar à Veneza na chuva – antes, durante e depois no cheiro de esperança que ela impregna o mundo na horta no pomar no balão colorido que um dia eu ainda hei de voar na pipa que ensina leveza na cereja que ensina a beleza no passarinho que ensina a gente a ser livre na gentileza inesperada no olhar demorado de alguém desconhecido no suspiro no espirro na saúde na lágrima que escorre no bocejo que contamina na semente do morango que estala entre os dentes no peixe frito na beira da praia no caldo de cana na beira da estrada no pacote fechado de presente no orgasmo (acho que nessa hora ela não habita, ela grita) na dor feminina que é sangrar todo mês no meu blush no meu perfume de almíscar nas minhas botas novas de camurça nas cartas escritas nas cartas escondidas nas cartas esquecidas no cheiro de pão no fim da tarde no cheiro de canela, de pó de café de manjericão no molho de tomate no primeiro gole do chopp nas fotografias que tem sorriso na compaixão que me arrebatam os mendigos na lembrança do que fui na memória dos melhores amigos na esperança do que ainda posso fazer com a minha própria vida
Essa lista não tem fim. Nunca terá, só no dia que eu morrer. Até lá...

Escrito por Tatiana Telink às 01h04
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